Breve historia para relembrar o percurso histórico do Nacionalista Cónego Manuel das Neves em alusivo ao dia de inicio da luta armada.

Nota: Estimado Leitor, apresento-lhe uma história, com vista a homenagear uns dos precursores e inspirador da insurreição do 4 de Fevereiro de 1961, dia da luta armada “Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves” visto que no dia 25 do mês transacto comemorou-se mais um aniversário do nacionalista cónego Manuel das Neves.

Apresento de uma forma sintetizada, a história do nacionalista com objectivo de relembrar a todos os angolanos de Cabinda ou Cunene e do Mar ao leste o importante contributo que este nacionalista deu para inicio da Luta Armada e para Independência  Nacional até a sua terrível morte, assim posso reafirmar!

Apraz-me dizer que não sou formado em Historia, Sou um jovem que se preocupa com a história do nosso país, visto que Angola é país rica em histórias, culturais, políticas e entre outras, apesar de não serem faladas ou escrita frequentemente pelos autores sociais e historiadores em particular.

O percurso histórico do Nacionalista Cónego Manuel das Neves em alusivo ao dia de inicio da luta armada.

Só para lembrar aos prezados (as) leitores que o nacionalista Cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves Nasceu no Golungo-Alto, aos 25 de Janeiro de 1896, na actual província de Cuanza Norte. Foi o principal “cérebro” do 4 de Fevereiro de 1961. Já era membro da UPA em 1958 e fundador da sua célula clandestina no mesmo ano, no bairro Sambizanga (Ngola Kabango fala em 1957, na Ilha de Luanda).

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O cónego Manuel das Neves é um dos maiores protagonistas das acções que desencadearam, a 4 de Fevereiro de 1961, no início da luta armada de libertação e que veio a culminar na proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975. Lembrando também que o nacionalista  dirigiu várias vezes os destinos da Liga Nacional Africana, a partir da qual desenvolveu a sua luta pela dignidade do povo angolano.

Considerado como uma figura relevante da história do nosso país, o cónego Manuel das Neves notabilizou-se pela rara coragem com que inscreveu o seu nome nas lutas de independência deste país, Cónego Manuel das Neves foi preso pela PIDE, em 22 de Março de 1961. Em quanto estava preso era sujeito a torturas como extirpação das unhas dos pés e das mãos com aparelhos eléctricos e queimaduras no corpo com cigarros”, foi posteriormente transferido para a cadeia do Aljubre, em Lisboa, onde ficou durante quatro meses.

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Nacionalista cónego Manuel das Neves contribuiu para a Independência Nacional proclamada por António Agostinho Neto

Só depois foi levado, a 19 de Agosto de 1961, para o Noviciado dos Padres da Companhia de Jesus, em Soutelo, onde faleceu, no dia 11 de Dezembro de 1966, sendo “sepultado no cemitério local, sem a presença de qualquer familiar ou amigo”. Só quase vinte anos após a Independência, os seus restos mortais foram transladados para o Cemitério do Alto das Cruzes, a 5 de Julho de 1994.

Morte do nacionalista Cónego Manuel das Neves

 Cónego Manuel das Neves, foi vice-presidente do chamado Governo Provisório de Angola “Governo Revolucionário de Angola no Exílio” (GRAE), de 1962-1966, e que serviu para ornamentar o Bureau de Holden Roberto.

Naquela altura o sacerdote organizou os ataques do 4 de Fevereiro de 1961, em colaboração com alguns membros da sua célula, que são verdadeiros heróis de libertação de Angola. Com efeito, os nacionalistas Neves Bendinha, Virgílio Sotto-Mayor, Tomás Ferreira, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus, Salvador Sebastião, Engrácia Francisca, Imperial Santana e Raul Deão, conduzem mais de 200 corajosos (na sua maioria parte, anónimos) patriotas, treinados por Bento António, que na altura cuspiram na cara do Salazar, iniciando com a luta armada em Angola, segundo o MPLA, que reivindica a acção revolucionária, na voz do seu então Secretário-geral, Viriato da Cruz, em Conacry, na Guiné.

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Acusados de ajudar organizações terroristas, logo depois do 15 de Março de 1961, o Cónego foi preso em conjunto com outros prelados africanos e desterrado para Portugal, em Noviciado dos Padres Jesuítas, Soutelo, em Braga, onde vai faleceu no dia 11 de Novembro de 1966.

Homenagens ao Nacionalista Cónego Manuel das Neves

 Em declarações à Angop, à margem de uma palestra sobre a vida e obra do cónego Manuel das Neves, o nacionalista Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento sublinhou que tais conflitos tinham como base problemas relacionados com a posse de terras, opondo os colonialistas que queriam apoderar-se delas, aos nacionais, seus legítimos proprietários.

Ainda para recordar que no ano passado para homenagear o feito histórico do nacionalista foi erguida uma Escola Missionaria 1º e 2º Ciclo apadrinhada pelo nome do nacionalista Cónego Manuel das Neves, com 11 salas de aula e que poderá alberga cerca de 200 alunos no município do Golungo-alto, esta mesma Escola foi financiada pelo então nacionalista Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento e inaugurada pelo actual governador do Cuanza Norte Adriano Mendes de Carvalho.

Em tempo mas recente o nacionalista Lopo Fortunato Ferreira do Nascimento considerou o Golungo Alto   um “marco incontornável”  na História da descolonização do país, devido ao envolvimento de muito dos seus filhos na luta de libertação nacional e por ter sido palco de muitos conflitos com os colonizadores antes de 1961.

Abro aqui uns parentes para recordar que (Lopo do Nascimento, nasceu na província de Luanda e em quanto nacionalista sempre lotou pela liberdade do povo angolano, já foi primeiro-ministro e deputado pelo MPLA), salientou que esforços estão a ser envidados para que seja erguida uma estátua do nacionalista Manuel das Neves na Liga Nacional Africana, do qual foi um dos precursores, e na sede municipal do Golungo-Alto, sua terra natal.

Em 2005, visitando a sua sepultura no Cemitério Alto da Cruzes, em Luanda, Holden Roberto rendeu-lhe uma homenagem póstuma, afirmando que ” Manuel das Neves foi grande nacionalista que revoltou-se, ao ver o sofrimento do seu povo, que a sua acção para libertar Angola, deve servir do incentivo para as futuras gerações”.

Glória eterna aos heróis angolanos!

Espero que os estimados leitores possam reter um pouco desta pequena historia que realça o percurso da vida do nacionalista Cónego Manuel das Neves e que a seu contributo para libertação nacional seja um incentivo para as futuras gerações, como realçou Helden Roberto.

Elaboração: Costa Mitendo

Pesquisa: João Diogo

 

 

Angola: Vazamentos de Luanda apontam cumplicidade internacional enquanto Isabel Dos Santos enfrenta escrutínio

Os angolanos estão pedindo uma investigação internacional sobre as negociações mundiais que permitiram que Isabel dos Santos, filha do ex-presidente, se tornasse a mulher mais rica da África.

Nenhum angolano jamais acreditou que a fortuna acumulada por Isabel dos Santos, filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos, fosse adquirida por meios legais. Mas mesmo os mais céticos podem ter ficado surpresos com a extensão da conivência internacional na pilhagem dos recursos do país, exposta pelo recente vazamento de documentos sobre a mulher mais rica da África.

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), com sede em Nova York, publicou no domingo um acervo de arquivos que supostamente mostram como Dos Santos desviou centenas de milhões de dólares em dinheiro público para contas no exterior. Os mais de 715.000 arquivos – apelidados de “vazamentos de Luanda” – foram investigados por 120 repórteres em 20 países, incluindo a Alemanha.

Envolvimento da Alemanha

As emissoras públicas alemãs NDR e WDR, juntamente com o diário Süddeutsche Zeitung, descobriram que a empresa de bebidas Sodiba, de propriedade de dos Santos e seu marido, Sindika Dokolo, recebeu um empréstimo de € 50 milhões ($ 55 milhões) de uma subsidiária do desenvolvimento alemão banco KfW sem um exame abrangente prévio do negócio. O empréstimo foi utilizado pelos Santos para comprar uma fábrica de cerveja e duas linhas de engarrafamento da empresa alemã Krones AG em 2015. O pai de Dos Santos supostamente usou sua influência para obter o projeto de investimento aprovado.

O ativista e pesquisador de direitos humanos Rafael Marques de Morais diz que “é justo” que países como a Alemanha agora ajudem a investigar como atores internacionais permitiram à filha de 46 anos do ex-presidente adquirir uma vasta fortuna estimada em mais de US $ 3 bilhões. “A [chanceler alemã] Angela Merkel está visitando Angola [em fevereiro] e essa questão deve ser levantada: como os fundos fornecidos pelo governo alemão também foram usados ​​para aumentar sua riqueza [dos Santos]?”

“Este é um caso importante de corrupção internacional”, disse Morais à DW, acrescentando: “Foi o mundo que projetou Isabel dos Santos como a empresária mais rica e bem-sucedida quando era ladrão”. De acordo com o ICIJ, os documentos vazados mostram como “empresas financeiras ocidentais, advogados, contadores, funcionários do governo e empresas de gestão ajudaram a esconder ativos das autoridades fiscais”.

O bilhão roubado

Segundo os arquivos vazados, nos últimos anos, Santos e seu marido fundaram mais de 400 empresas em 41 jurisdições, entre elas paraísos fiscais como Malta, Maurício e Hong Kong. Estas empresas beneficiaram continuamente de contratos públicos, serviços de consultoria e empréstimos em Angola.

No final de dezembro, as autoridades angolanas congelaram os bens de Santos no país africano, após alegações de promotores de que ela e seu marido haviam desviado mais de US $ 1 bilhão das empresas estatais Sonangol e Sodiam. Isabel dos Santos foi encarregada da Sonangol por seu pai em 2016. Mais tarde, ela foi demitida dessa posição pelo sucessor de seu pai, João Lourenco.

Isabel dos Santos continua negando qualquer irregularidade. “Minha fortuna se baseia no meu caráter, minha inteligência, educação, capacidade de trabalho, perseverança”, escreveu dos Santos nas plataformas de mídia social. Ela insiste que tanto a investigação atual em Angola quanto os vazamentos de Luanda são ataques politicamente motivados e coordenados contra ela.

‘Corrupção está matando o país’

Alguns analistas expressaram suspeitas de que o atual presidente não está tão motivado pela luta contra a corrupção do que pela necessidade de consolidar seu poder depois de suceder o governante de longa data José Eduardo dos Santos. Robert Besseling, diretor executivo da EXX Africa – uma empresa que avalia riscos de negócios – disse à DW que acreditava que os interesses econômicos também estavam em jogo: “[O governo] parece estar pressionando associados, familiares e empresas a abandonar os ativos de empresas-chave em Angola e em outros lugares no exato momento em que há uma agenda de privatizações, em que o governo procura vender uma grande parte da economia “, afirmou.

Rafael Marques de Morais discorda. Severamente perseguido por seu ativismo anticorrupção durante a era dos Santos, ele acredita que Lourenco está realmente decidido a limpar o país. No entanto, isso também é do seu interesse: os angolanos estão cada vez mais preocupados com a profunda crise econômica no país rico em petróleo, que também foi precipitado pela pilhagem de seus recursos por uma elite corrupta. O descontentamento não é um bom presságio para o partido do presidente Lourenco, o MPLA, que governa o país desde a independência, há 45 anos. “Dos Santos esteve no poder por 38 anos e privatizou o estado principalmente em favor de seus filhos. É por isso que há uma investigação sobre corrupção. E a corrupção deve terminar em Angola, porque está matando o país”, disse de Morais.

A necessidade de reformar o sistema judicial

Atualmente, existem muitas investigações contra funcionários do governo atuais e antigos. Vários generais e membros do parlamento foram indiciados e alguns presos. “Há um esforço do governo para realmente trazer o maior número de casos que o sistema judicial possa suportar”. Um grande problema, no entanto, é a falta de reforma do sistema judicial de Angola. “Todos os juízes e procuradores atualmente em exercício foram nomeados pelo próprio Santos”, explica de Morais.

A imunidade concedida ao ex-presidente dos Santos, que agora reside na Espanha por razões médicas, expira em 2022. “Depois disso, espera-se que ele tenha que responder em tribunal por seus delitos”, de acordo com Morais. Apesar da controvérsia, na semana passada, Isabel dos Santos disse que consideraria concorrer à presidência de Angola nas eleições de 2022.

Fonte: https://allafrica.com/stories/202001230526.html?aa_source=nwsltr-corruption-en

Portugal reforçará participação em Missão das Nações Unidas no Mali, Minusma

Ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, visitou Bamako para anunciar envio de 75 elementos e um avião de reconhecimento C-295; ele esteve dois dias na nação da região do Sahel, onde se reuniu com a liderança da Minusma e autoridades.

O governo de Portugal anunciou que irá enviar um reforço às forças de paz da ONU no Mali, Minusma, a partir de maio.

O país, que já contribui com a Missão da ONU na República-Centro Africana deve  aumentar sua presença, no Mali, com 75 boinas-azuis.

Planos

Ministro da Defesa de Portugal, João Cravinho, ONU News

Em entrevista à Joyce Fernandes de Pina, para a ONU News, em Bamako, o ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, explicou os planos de seu país.

“Portugal tem aqui já um desempenho bastante forte, nomeadamente com a chefia da Missão de Formação da União Europeia. E também uma presença numa outra missão da União Europeia de formação policial. Com a Minusma vamos reforçar. Vamos reforçar, em maio, com mais de 75 militares e um avião de reconhecimento que vai aumentar, significativamente, a capacidade da Minusma de reconhecimento do terreno, que é um elemento muito importante. É um C-295, que é um avião equipado com uma multitude de sensores de diferentes tipos para detectar tudo que se passa neste vasto território.”

O ministro João Gomes Cravinho afirmou que a nova contribuição é uma resposta à demanda das forças de paz da ONU no Mali.

Treino

“Estamos a corresponder, exatamente, com aquilo que é pedido atendendo às novas circunstâncias do Mali. E aquilo que se prevê ser a nova postura militar do Minusma. Portanto, temos a nossa força de reação rápida na República Centro-Africana, que continuará durante o tempo previsível. Aqui no Mali, vamos apoiar com outros tipos de meios.”

Portugal já tem 20 elementos das Forças Armadas no Mali, estacionados em Bamako.

Dois militares portugueses estão na Minusma e 18 na Missão de Treino da União Europeia no Mali (Eutm).

 *Com reportagem de Joyce Fernandes de Pina, do Mali.

PPLAAF: a plataforma para África que tornou possível o Luanda Leaks

O Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ) teve acesso a informação comprometedora para Isabel dos Santos através de uma organização pouco divulgada pelos media mas de alta influência: a PPLAAF (Platform to Protect Whistleblowers in Africa). Trata-se de uma plataforma que protege denunciantes ou ‘gargantas fundas’ (whistleblowers) em África, com sede em Paris, para que seja possível expor grandes casos de corrupção que de outra forma nunca veriam a luz do dia.

Plataforma contactou organização por e-mail para pedir uma entrevista mas não obteve resposta.

Aos comandos da PPLAAF está um advogado na linha da frente dos Direitos HumanosWilliam Bourdon, nada mais, nada menos, do que o representante de algum dos informadores mais famosos do mundo como Edward Snowden, que denunciou as práticas de vigilância da Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA); Hervé Flaciano (Swissleaks), que expôs práticas de evasão fiscal na filial suíça do HSBC entre 2006 e 2007; e Antoine Deltour (Luxleaks), que revelou os detalhes de um esquema de evasão fiscal de 343 empresas internacionais.

Também foi advogado de Julian Assange, do caso Wikileaks, como descrito no seu perfil profissional publicado no site da organização. Bourdon é também advogado do hacker Rui Pinto, do caso Futebol Leaks.

Mas para além de Bourdon, membro da Ordem dos Advogados de Paris, especializado em direito criminal, empresarial e da comunicação, a PPLAAF reúne outros juristas de alto nível como o mediático juiz espanhol Baltazar Garzón, um dos administradores da plataforma. Recorde-se que Garzón julgou os crimes do franquismo e foi o juiz que mandou prender o ex-ditador chileno Pinochet em 1998, em Londres.

A plataforma conta ainda com dois embaixadores do mundo das artes. Um é o ator francês, argumentista, realizador e produtor Mathieu Kassovitz, ex-marido da atriz Monica Bellucci. O outro é Alain Mabanckou, romancista e poeta nascido no Congo-Brazzaville em 1966. Já recebeu vários prémios, incluindo o Grande Prémio Literário da África Negra e o Prémio da Sociedade dos Poetas Franceses, ou o Renaudot.

No corpo de conselheiros da PPLAAF estão jornalistas de investigação, ativistas e escritores. Um deles é Anas Aremeyaw, jornalista de investigação do Gana. Segundo o seu perfil no site, o seu lema é “nome, vergonha e cadeia”. É também famoso por usar o seu anonimato como ferramenta no seu trabalho de investigação. Já ganhou mais de 14 prémios internacionais pelo seu trabalho de investigador.

Outro dos conselheiros é o diretor do gabinete estratégico ecológico Health of Mother Earth Foundation (HOMEF) e membro do comité de direção da Oilwatch Interncional. O grupo conta ainda com Jacques-Marie Bourget, jornalista de investigação e repórter que cobriu vários conflitos, da guerra do Vietname à guerra do Líbano ou à guerra civil de El Salvador. É também autor de vários livros sobre as temáticas que cobriu como “Survivre à Gaza” ou “Le Vilain petit Qatar”. Outro conselheiro é especializado em impostos: John Christensen, fundador e diretor da rede global Tax Justice Network, que visa estreitar a cooperação internacional em matéria de evasão fiscal e secretismo dos paraísos bancários offshore.

A organização protege a informação vinda de denunciantes, que podem enviar dados por aplicações encriptadas de mensagens ou por e-mails encriptados. Também alerta os possíveis informadores a consideraram todos os riscos relacionados com a sua situação pessoal e profissional antes de decidirem denunciar casos de corrupção.

Processos africanos de corrupção que a PPLAAF originou

No site da PPLAAF estão publicados os casos judiciais que a plataforma ajudou a criar. Ainda não consta lá o Luanda Leaks mas não deverá demorar.

“Captura do Estado”: trata-se do processo por corrupção contra o ex-Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que foi possível abrir graças às informações providenciadas por denunciantes que trabalham com a plataforma. Um dos crimes que constam na acusação contra Zuma é “Captura do Estado”. É mais do que simples corrupção: é a pilhagem de companhias nacionais e instituições, corrompendo figuras no poder e mudando as leis do país para irem ao encontro de interesses privados.

“Os Papéis do Porto de Banana”: no centro deste processo por corrupção estão as negociações entre o governo da República Democrática do Congo (RDC) e o operador global portuário Dubai Port World, por causa da construção do maior porto de águas profundas, até à data, na cidade congolesa de Banana. A PPLAAF recebeu esta informação através de informadores protegidos que participaram diretamente nas negociações entre o governo congolês e o Dubai Port World.

“Os Papéis Lumumba”: esta investigação revela as atividades suspeitas do Banco BGFI RDC, uma subsidiária do Banco Gambonês, Francês e Internacional (BGFI) na República Democrática do Congo, nomeadamente, o seu envolvimento em corrupção e apropriação de fundos públicos. O processo foi possível por causa de documentos trazidos a público por um antigo funcionário do banco, Jean-Jacques Lumumba. O caso também revela a existência de transações suspeitas entre o BGFI e a Comissão Nacional Eleitoral Independente.

Fonte: https://www.plataformamedia.com/pt-pt/noticias/sociedade/pplaaf-a-plataforma-para-africa-que-tornou-possivel-o-luanda-leaks-11739737.html?utm_source=Push&utm_medium=Web

A fortuna de Isabel dos Santos também se construiu no Luxemburgo

Empresária usou fundos estatais angolanos, um dos países mais pobres do mundo, para adquirir participações na marca de jóias suíça De Grisogono – em parte através de uma empresa de fachada no Luxemburgo. Só nesta jogada, Angola perdeu 120 milhões de dólares (108,2 milhões de euros).

Já a De Grisogono estava em queda livre quando se enviaram os convites para a festa. A marca de jóias pode não ser um nome reconhecível para o leitor comum, mas é uma das mais conceituadas entre as estrelas de cinema. A festa que a companhia suíça organiza todos os anos à margem do Festival de Cinema de Cannes é, aliás, o lugar onde toda a gente quer estar. Em 2017, aconteceu num dos mais caros hotéis da cidade, o Cap-Eden-Roc, e contou com convidados como Leonardo diCaprio, Antonio Banderas ou Naomi Campbell.


Isabel dos Santos já não participa na reunião de Davos

Os anfitriões do evento eram Isabel dos Santos, filha do antigo presidente angolano, e o seu marido, Sindika Dokolo. Segundo os documentos libertados esta semana pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) – que em Portugal foram divulgados pelo Expresso e pela SIC, nos Estados Unidos pelo New York Times e no Reino Unido pelo Guardian, numa investigação que está a ser chamada de LuandaLeaks – Dokolo adquiriu a marca de jóias em 2012, com dinheiro da companhia estatal de diamantes angolana, a Sodiam. É um dos muitos negócios suspeitos da mulher mais rica de África, que tem uma fortuna avaliada em dois mil milhões de euros.

Entre os mais de 700 mil documentos que agora vieram a público há fortíssimos indícios de que Dokolo convenceu a angolana Sodiam, que produz alguns dos maiores diamantes do globo, a investir na compra da Di Grisonogo, que os transforma em jóias. Para isso, a Sodiam terá pedido um empréstimo superior a 100 milhões de euros ao BIC, um banco detido parcialmente por… Isabel dos Santos. A taxa de juro foi fixada em 9 por cento, o que garantia uma boa margem de lucro ao BIC.


Isabel dos Santos diz que investigação baseia-se em documentos falsos

Quando foi comprada, a joalheira vivia já um mau momento. Com ações baixas, era um potencial bom negócio, mas também podia entrar numa espiral descendente e nunca recuperar. Para acalmar as eventuais dúvidas da Sodiam foram contratados os serviços de uma consultora baseada nas Ilhas Virgens Britânicas, a Almerk International – que aconselharia os investidores e receberia um prémio caso o negócio se concretizasse. As coisas pareciam bem, avançou-se e a Almerk recebeu o dinheiro. Quem é o dono da consultora? Sindika Dokolo.

Para adquirir a De Grisogono, Dokolo usou uma série de “shell companies”, que em português podem ser traduzidas como empresas de fachada. São companhias inativas, muitas vezes têm apenas um apartado postal e um email – mas nem sequer um número de telefone – que são usadas para fazer operações finaceiras sem deixar rasto. E é aqui que o Luxemburgo entra na história.

Sindika Dokolo investiu o seu dinheiro e o da Sodiam num fundo de investimento maltês chamado Victoria Holding Limited, que depois o movimentou para a recém formada De Grisogono Holding, com morada no Luxemburgo. Foi a partir do Grão-Ducado que o negócio foi feito com os suíços, sendo as ações depois distribuídas por uma outra série de empresas de fachada em Hong Kong, no Reino Unido e em Itália.


Investigação jornalística revela esquemas financeiros de Isabel dos Santos

Curiosamente, a Sodiam investiu na joalheira, mas não tinha qualquer voz nas decisões da empresa. E, se a folha de despesas aumentou, a de receitas nunca subiu. Renovaram-se as luxuosas lojas da marca em Londres, organizaram-se festas esplêndidas na Riviera francesa, enquanto as lojas de Las Vegas e Saint Moritz atingiam mínimos históricos. Em agosto de 2017, meses depois da noite opulenta em Cannes, aconteceria algo que mudaria todas as peças do tabuleiro.

Ao fim de 38 anos na presidência de Angola, José Eduardo dos Santos cedia finalmente a cadeira. Nos anos anteriores, o chefe de Estado tinha assinado vários decretos que permitiram às empresas da filha a aquisição de ações em alguns dos mais importantes negócios do Estado. O New York Times põe as coisas nestes termos: “Isabel tornava-se parcialmente dona do maior banco do país, da sua maior empresa de telecomunicações, da maior empresa de cimentos e da maior exportadora de diamantes, ao mesmo tempo que criava uma parceria com o gigante petrolífero estatal [a Sonangol] para comprar a maior empresa petrolífera portuguesa [a Galp]”. Mas agora as coisas pareciam estar a mudar.

Já depois da subida de João Lourenço ao poder, a Sodiam decidiu retirar-se completamente do negócio da De Grisogono, alegando “motivos de interesse público”. O novo presidente da diamantífera, Eugénio Pereira Bravo da Rosa, admitiria em 2018 que, com os juros, o empréstimo ao banco de Isabel dos Santos ascendia já a 200 milhões de dólares [180 milhões de euros] – dinheiro pago pelos contribuintes angolanos. “Não ganhámos um único centavo com este negócio”, responderia agora aos investigadores do ICIJ. “Se corrupção é usar influência política para obter vantagens, então acho que foi isto que aconteceu aqui.”

Angola, recorde-se, é um país onde um terço da população vive com menos de um euro por dia – ou seja, em pobreza extrema. É também, como dizia em 2015 o colunista Nicholas Kristof no New York Times, “o país mais mortífero para miúdos que existe no planeta”: mais de um quarto das crianças estão subnutridas, uma em cada seis crianças morre antes de completar cinco anos, uma em cada 35 mães morre durante o parto. Metade da população não tem acesso a cuidados de saúde, um quarto é analfabeta. O dinheiro que a mulher mais rica de África e o seu marido desviaram do erário público teria seguramente melhor uso.


Ggeorges Chikoti é o novo embaixador de Angola no Luxemburgo e em Bruxelas.
Georges Chikoti, embaixador de Angola. “Quero trabalhar com os empresários luxemburgueses”

Dos Santos e Dokolo têm estado quase sempre calados desde que o escândalo rebentou no passado domingo. Mas disseram duas coisas. A primeira é que consideram a libertação de 700 mil documentos ao mesmo tempo a prova de que existe uma “caça às bruxas” em marcha. A segunda é que Dokolo afirma que não só não ganhou dinheiro no negócio da De Grisogono como perdeu 103,7 milhões de euros.

De facto, entre os documentos libertados pelo ICIJ e que o Guardian já analisou, não há registo de transferências da De Grisogono para as outras empresas do casal. Mas o Ministério Público angolano acusa-os de terem adquirido a preço meramente simbólico um colar com um diamante de 163.41 quilates, avaliado em 30 milhões de euros – alegamente uma cortesia da Sodiam pelo papel de Dokolo na compra da marca de jóias suíça, também ela lesiva para o Estado. Os advogados da família negaram que alguma vez tenham sido beneficiados.

Fonte: https://www.wort.lu/pt/luxemburgo/a-fortuna-de-isabel-dos-santos-tambem-se-construiu-no-luxemburgo-5e281a9bda2cc1784e354837?utm_source=pt_daily&utm_medium=email-0800&utm_content=newsLink&utm_campaign=dailyNewsletter

 

Encontro mundial sobre refugiados abre em Genebra após “década de deslocamento”

Começou nesta segunda-feira, 16 de dezembro, em Genebra, na Suíça, um encontro de três dias destinado a transformar a maneira como o mundo responde à situação de refugiados.

O primeiro Fórum Global de Refugiados reúne chefes de estado e de governo, líderes da ONU, instituições internacionais, organizações de desenvolvimento, líderes empresariais e representantes da sociedade civil.

Refugiados

A Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, está co-organizando o evento juntamente com a Suíça e cooperação da Costa Rica, da Etiópia, da Alemanha, do Paquistão e da Turquia. O objetivo do Fórum é gerar novas abordagens e compromissos de longo prazo para ajudar os refugiados e as comunidades em que vivem.

Em todo o mundo, mais de 70 milhões de pessoas estão deslocadas por causa de guerras, conflitos e perseguições. Mais de 25 milhões delas são refugiados que fugiram através das fronteiras internacionais e não puderam voltar para suas casas.

Falando a funcionários da ONU, o secretário-geral, António Guterres, disse que “o multilateralismo continua sendo a resposta mais eficaz a desafios crescentes em todo o mundo, que vão do clima ao conflito e ao deslocamento da população.”

O alto comissário da ONU para os refugiados,  Filippo Grandi, alertou que o mundo está “emergindo de uma década de deslocamento durante o qual o número de refugiados aumentou.”

Para Grandi, o Fórum é uma oportunidade de atestar o “compromisso coletivo com o Pacto Global sobre Refugiados e apoiar as aspirações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de não deixar ninguém para trás. ”

Segundo o Acnur, o Pacto Global sobre Refugiados abre caminho para que todos assumam a responsabilidade e desempenhem um papel, incluindo todos os níveis de governo, setor privado, agências de desenvolvimento e instituições financeiras, sociedade civil, grupos religiosos e próprios refugiados.

As contribuições feitas no Fórum devem incluir temas como assistência financeira, técnica e material, mudanças legais e políticas.

 

Fonte: https://news.un.org/pt/story/2019/12/1698051?utm_source=ONU+News+-+Newsletter&utm_campaign=0b953b45ef-EMAIL_CAMPAIGN_2019_12_16_04_15&utm_medium=email&utm_term=0_98793f891c-0b953b45ef-107048669